por Andrea MachadoHá cerca de quinze anos,
quando o filme "Jogos de Guerra"
estreou nos cinemas, computadores ainda eram uma
grande novidade em escolas particulares do Rio. A
idéia de que um garoto de 17 anos pudesse entrar
no sistema informatizado do colégio para fraudar
notas, como acontecia no filme, parecia
assombrosa. Que ele pudesse entrar no Pentágono,
então, nem se fala.
Hoje a Guerra Fria
não mete tanto medo, computador já é figurinha
fácil na rede privada de ensino e alguns
colégios do país já puseram boletins de seus
alunos na Internet. A propósito, até agora,
não se sabe de aluno que tenha tido a audácia
do personagem de Matthew Broderick e falsificado
o boletim, via Internet.
Os pais têm
acesso a essas notas, a partir de uma senha que
recebem na secretaria da escola. Para eles acabou
aquela história de ouvir a desculpa esfarrapada
de que "a escola ainda não entregou o
boletim", como conta a pedagoga Lúcia
Moraes, mãe de duas alunas, de 14 e 15 anos, do
Colégio Bahiense, do Rio, usuária do sistema:
- O bom é que a
gente pode acompanhar as notas de cada prova,
não fica limitado ao boletim bimestral - conta
ela, acrescentando que as filhas não gostaram
nada disso, embora adorem bater papo na página
da escola.
Arquivos com notas não podem ser modificados
Para Ricardo
Mello, responsável pelo site do Colégio
Bahiense, não há como a vida imitar a ficção.
Ou seja, será muito difícil um aluno ser bem
sucedido como David, o personagem de Broderick.
Isso porque,
segundo Mello, no caso do site do Colégio
Bahiense - em <www.bahiense.g12.br> - tanto os dados
quanto as rotinas do programa estão gravados no
provedor de acesso. Ou seja, todos os arquivos
gravados são somente de leitura e, por isso,
não podem ser modificados.
Estamos falando
tanto dos arquivos de texto, que têm as notas
dos alunos com as respectivas disciplinas, quanto
dos arquivos de rotina, aqueles que "sabem
procurar" as informações. Nos arquivos de
dados, cada nome do aluno corresponde a um
número de matrícula e à senha digitada pelo
usuário.
O sistema é muito
parecido com o usado por demais colégios, de
outros estados, que também disponibilizaram as
notas na Internet. Entre eles, o Anglo Americano,
de Foz do Iguaçu, em <www.foznet.com.br/emp/anglo/default.htm>, o Santo Agostinho, de
Belo Horizonte, em <www.metalink.com.br/stoagostinho, e Colégio Dom Bosco, de
Cascavel, no Paraná, em <www.dom.com.br>. O Colégio Dom Bosco
oferece também, entre outros serviços, a
possibilidade de se fazer matrícula on-line.
Ainda de acordo
com Mello, do Bahiense, no Rio, os arquivos de
notas são atualizados diariamente e são, na
verdade, uma cópia dos dados mantidos no sistema
de notas interno do colégio.
- Se alguém
conseguir modificar algum arquivo, o que acho
muito difícil, esta informação adulterada
valerá somente até o dia seguinte, quando
estaremos atualizando informações - explica
Mello.
Os administradores
do colégio acreditam que assim os pais
acompanham melhor o desempenho dos filhos, já
que cada disciplina tem, no mínimo, três
avaliações por bimestre.
Segundo dados do
Astrolábio, provedor da página do Bahiense, a
procura tem sido grande. Dos 10.541 acessos que a
página teve desde o início do ano, 2.088
consultas foram feitas ao serviço de notas
on-line. Os números são referentes a três
unidades do colégio e se refere a um total de
650 alunos.
Em tempo: ainda
que um estudante mais espertinho consiga
"fazer um upgrade" nas notas, a
esperteza não vai levá-lo longe. As notas na
Internet são apenas mais uma forma de os pais se
informarem. Os colégios continuam entregando o
boletim tradicional, de papel. Ainda é o que
vale como documento.
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